Meus balbucios

Estrela cadente

A lua já não estava lá. Apenas o céu estrelado para iluminar as poucas horas antes da chegada do sol. Dois olhares em busca de um sinal do universo para estancar o desejo que pairava nos corpos. As palavras estavam ainda mais embebidas pela beleza noturna. A noite sempre tem mistérios. A noite inebria os instintos, os sentidos. A noite é enigmática. É na noite que a lua se apresenta como cúmplice dos desejos mais profundos. Foi, então, que as palavras foram interrompidas por uma estrela cadente. Tão breve. Inesquecível. Com a delicada brevidade, a estrela selou os lábios. Os corpos se entrelaçaram. Os pés firmados no asfalto, mas a cabeça… estava na lua. Nem foi preciso realizar um pedido. A estrela se encarregou da noite. Iluminou a nudez dos corpos, que se percorriam, se descobriam. Já não era necessário saber da vida, nem do nome, muito menos a cor preferida. Bastava o instante de descobrimento mútuo. O mapeamento dos instintos mais sinceros. Pouco a pouco, os primeiros raios de sol foram surgindo, trazendo a certeza da aparição da bela estrela.

 

04 de dezembro de 2012, Rio de Janeiro

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