Meus balbucios

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Nota

chove 
resignamente

de’cho vê…

deixa chover
resignar a mente

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Nota

vita
liberdade
liber
livre
idade
verdade
(ver) dade
li (ver) dade
vida de verdade
vi da verdade
vi
de
verdade
livre
das
verdades

 

17 de março, em São Paulo.


Nota

olhares eclodem
no entardecer cinza
cores, cheiros
sensações
cinza, mas vívido
cinza, pero caliente
cinza…
cin
za.

 

17 de março de 2013, São Paulo.


Estrela cadente

A lua já não estava lá. Apenas o céu estrelado para iluminar as poucas horas antes da chegada do sol. Dois olhares em busca de um sinal do universo para estancar o desejo que pairava nos corpos. As palavras estavam ainda mais embebidas pela beleza noturna. A noite sempre tem mistérios. A noite inebria os instintos, os sentidos. A noite é enigmática. É na noite que a lua se apresenta como cúmplice dos desejos mais profundos. Foi, então, que as palavras foram interrompidas por uma estrela cadente. Tão breve. Inesquecível. Com a delicada brevidade, a estrela selou os lábios. Os corpos se entrelaçaram. Os pés firmados no asfalto, mas a cabeça… estava na lua. Nem foi preciso realizar um pedido. A estrela se encarregou da noite. Iluminou a nudez dos corpos, que se percorriam, se descobriam. Já não era necessário saber da vida, nem do nome, muito menos a cor preferida. Bastava o instante de descobrimento mútuo. O mapeamento dos instintos mais sinceros. Pouco a pouco, os primeiros raios de sol foram surgindo, trazendo a certeza da aparição da bela estrela.

 

04 de dezembro de 2012, Rio de Janeiro


Tristeza de um inseto

Hoje vi a tristeza de um inseto

de tão grande chegava a ser mínima

ele olhava para o horizonte

ensimesmado depois da chuva

 

O sol que estava dormindo

olhou para o triste inseto e disse:

– A chuva vem para lavar a alma e regar os sonhos.

Se nem a chuva consegue realizar sua vontade de ficar sempre junto ao mar,

imagine o sol que tem que partir antes de encontrar a lua?

 

O arco-íris sorriu de ponta a ponta

e o inseto foi se banhar na gota de chuva.

 

 


Luna

Ânima

Se apresenta

Noturna

Me acolhe

Profundo me faz sentir

Subconsciente

Imaginário

Fértil

Brilho que em envolve

Ascendente

Calor inebriante

Sou luna

Mulher

Lua


Corpus

meu corpo é um

vários

múltiplos músculos

articulações

juntam

formam

deformam

dá forma

estrutura moldura

cor criatura

substantivo espírito

alma ação

corpus poesia