Meus balbucios

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Pedi poesia
deu-me a inspiração
perdi a noção
a razão
devolva-me a lucidez
ao coração

Xote poético

Aconteceu

Não aconteceu?

Talvez

Deixo sua música me levar

A harmonia do seu corpo me conduz

Para um bailado a dois

Em silêncio

Um olhar pra cá

Um olhar pra lá

Dois pra cá

Dois pra perto

Sol pra mi

Mi pra Lá

Seu All Star branco

Meu sapato vermelho

Na partitura desse xote poético

Um livro e dois chapéus

Ele estava lá. Eu também estava. Só conhecia seu nome e sobrenome, nada mais. Mas sabia que a qualquer momento poderia trombar com ele. Eu estava com meu chapéu e alguns livros. Ele também estava de chapéu. Estávamos num lançamento de livros. Inclusive, ele ganhou uma boa obra autografada nesta noite. Em seguida, todos puxaram um “parabéns pra você” e gritaram seu nome. Meu coração tomou um susto. Meus lábios sussurraram seu nome. Nessa hora, meu olhar timidamente o encontrou.  Depois de ter conhecido seus olhos, parti. Parti sem saber como era sua voz. Tentei esquecer esse acontecimento, afinal ele seria uma possibilidade remota. Mas não pude deixar de cativar essa curiosidade sobre ele. O tempo se encarregou de aumentar esse desejo. Minha curiosidade e a sua entraram numa sincronia. O fato é que essa sintonia causou em nós uma vontade de reviver o ainda não vivido. Não sei bem quem é ele, mas o conheço há tempos.  Só sei que sinto saudade dos carinhos que ainda não trocamos. Dos beijos doces que nos permitimos. Dos risos incontroláveis em momentos de calmaria. Dos abraços longos e apertados. Das palavras aconchegantes. Ele faz parte das mais belas recordações. Lembranças da imaginação. Mas são reais. Cabem dentro do nosso mais puro desejo.

Cabe você

Os meus olhos

enigmáticos

claros

beijam cada instante

Os meus olhos

sorriem das cores

da vida

bailam a paixão

Nos meus olhos

cabe a intensidade

o querer

Nos meus olhos

cabem os seus

Nos meus olhos

cabe você.

Nossa brincadeira

Fazia tempo que não me rendia

Pra falar a verdade

Não havia o motivo

Para, de novo, me perder

Sem querer me encontrar

Adentrei num labirinto inquietante

Atrevi-me a um esconde-esconde com você

Que tornou-se em pega-pega delirante

Eu corria, você procurava

Eu procurava, você corria

Algumas vezes nos encontramos

e outras, desencontramos

Deixei pistas para o destino

Ele brincou com a gente

Nessa brincadeira de querer-gostar-descobrir

Joguei-me sem medo ao inexistente

Deixando apenas o desejo me guiar

A brincadeira continua.

Alguns versos

Meu destino tentou cruzar com o seu

por meio de  tantos acasos.

Insistente que é

fez questão de unir nossos olhares,

iniciou o capítulo de um enredo ainda sem meio nem desfecho.

O tempo se encarregou de intermediar:

quando estamos juntos, passa depressa

longes, uma eternidade.

Ah, a saudade…

Essa sim tem cumprido seu papel

de tornar mais poética nossa trama.

Enquanto isso,

versos me levam pra perto de você.

 

Sem definições

Se  gosto de rock francês?

Se gosto de cantar sozinha?

Se gosto de literatura?

Se gosto de MPB?

Se prefiro o questionamento?

Se aprecio filmes alternativos?

Se sigo convenções?

Se gosto de teatro?

Se gosto de letras reflexivas?

Se gosto de dormir com edredon?

A resposta quem traz?

Tanto faz.

O ritmo da vida quem sugere?

A subjetividade.

A sociedade que se diz hegêmonica

vive de convenções, de regras.

É um mar de contradições.

Acredito no mundo

sem pré-definições generalizantes.

Não me defino a todo instante

prefiro me questionar.

Se me perco,

às vezes me procuro.

Se não me encontro,

enlouqueço, deixo rolar.

Afinal, quem é que define a vida?

A vida é minha. É sua.

É melhor, então, vivê-la.